domingo, 1 de julho de 2012

Caos na saúde pública: vamos assistir isso de camarote?

Por Jackelyne Pontes

Enquanto nossos gestores investem milhões de reais em entretenimento e entram no jogo da corrupção, o descaso e sucateamento da saúde pública só aumenta. E nós, profissionais e usuários, somos vítimas desse samba do crioulo doido.
De tudo vem acontecendo e virando notícias nos meios de comunicação: pacientes jogados em corredores de hospitais, pronto-atendimento que só atende depois de horas de espera, equipamentos sucateados ou, quando novos, mantidos nas caixas e sem uso, servidores descontentes, usuários maltratados tendo ataques de fúria diante de uma negativa de tratamento e tendo seus quinze minutos de fama como estrela de programa policial, clínicas com suas atividades suspensas por falta de manutenção em seu equipamento. Não há como admitir uma situação dessa.
Precisamos de políticas públicas que sejam coerentes e respeitem a sociedade. As vítimas somos nós mesmos que, como profissionais, somos obrigados a interromper a rotina de atendimento por motivos que podem ser resolvidos facilmente, como, por exemplo, no caso da quebra de um compressor ou de uma bomba d´água. As filas de espera por atendimento são longas, e como atender a demanda sem condições mínimas de trabalho?
Não somos um país de primeiro mundo, isso é fato, mas poderíamos atender melhor nossos doentes. Precisamos de financiamento e sistema gerencial eficiente. Precisamos ganhar em quantidade e qualidade. Os profissionais de trabalham de forma ética acabam por levar nas costas toda a carga de serviço. Isso é justo? A falta de condições adequadas de serviço acaba expondo profissionais e usuários, e pior, fomentando denúncias que muitas das vezes são infundadas, sensacionalistas ou mesmo indevidas.
De um lado é dever do profissional cumprir com as suas obrigações em sua unidade de serviço e, de outro, é dever dos gestores proporcionar a este servidor condições para tal, e o usuário tem direito a uma saúde de qualidade. Esperemos que mudanças sejam implantadas com urgência e que resolvam o caos na saúde pública. Já pensaram se todos os investimentos voltados para a Copa do Mundo e o carnaval fossem aplicados em educação, segurança e saúde?
Poderíamos ter um quadro mais favorável e aí assim canalizarmos esforços para a divulgação do estado em outras esferas, podendo bradar em alto e bom som que o Mato Grosso é uma terra de encantos. O Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pela integralidade, universalidade e equidade das ações de saúde no serviço público é perfeito no papel, mas aqui, é uma utopia.
Enquanto isso temos pela frente o carnaval e a Copa-2012 e, como bem diz um trecho da boa música brasileira: “O trem tá atrasado ou já passou” (Demônios da Garoa – Samba do Crioulo Doido).
Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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