quinta-feira, 2 de maio de 2019

Senhorinha Ana Alves de Oliveira: primeira conselheira mulher da OAB-MT

Professora, sindicalista e advogada. Foi a primeira mulher rotariana de Mato Grosso, a primeira mulher Conselheira da OAB - Ordem dos advogados do Brasil, além de receber o título de Comendadora do Estado do Estado de Mato Grosso, comenda essa recebida do então governador Jaime Campos (2007-2015), pelos trabalhos prestados na educação. Formou-se em direito e pedagogia na Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.

Nasceu no distrito de Água Branca, município de Chapada dos Guimarães no dia 22/04/1942, filha de Júlio de Oliveira e Joana Alves de Oliveira. Mudou com seus pais e um irmão (que faleceu com 2 anos) para Cuiabá em 1944. Iniciou seus estudos em 1949 na escola Modelo Barão de Melgaço, o segundo grau no Colégio estadual de Mato Grosso e fez o curso normal na Escola Normal Pedro Celestino, concluído em 1958 aos 17 anos de idade, quando foi nomeada professora da rede pública estadual de ensino. Por causa da pouca idade foi impedida de tomar posse no cargo.

A mulher delicada, de gestos finos e carinhosos, de personalidade marcante não titubeou. Senhorinha Ana Alves de Oliveira não se deixou abater. Entrou com um mandado de segurança e tomou posse amparada por ele. Dai em diante, não parou mais. Lecionou por um bom tempo.

Ao lado de sua irmã, a também professora e advogada Elizina Alves de Oliveira, participou de inúmeros congressos e seminários internacionais sobre educação como representante da Confederação Brasileira dos Professores. Representou a Secretaria de Justiça do Estado de Mato Grosso em vários congressos internacionais sobre prevenção e combate ao uso de drogas.

Como sindicalista lendária e guerreira, acompanhava as lutas do seu tempo por um salário mais digno, por melhores condições de trabalho e por melhores estruturas físicas no trabalho. Para ela a educação sempre foi um ato político e o diálogo era o instrumento e a melhor maneira de se atingir o objetivo desejado.

Como advogada lutava pela democracia e andava sempre de mãos dadas com a justiça social e com a realidade. Era uma legítima e destacada organizadora de massa que se preocupava em oferecer ao professorado formas de participação e organização que colaborassem com a elevação de seu nível de consciência e de suas lutas. Foi uma combatente que teve sua vida dedicada à educação de Mato Grosso, conforme frisou Milton Alves Pedroso, primo de Senhorinha, em homenagem registrada nas memórias dos mato-grossenses.

Presidiu por duas gestões, a Associação Mato-grossense dos Professores (antiga AMP), depois transformada em SINTEP/MT, à época com mais de 14 mil associados, enfrentando diversas greves na  luta por melhores salários e outros benefícios, cuja greve perdurou por mais de um mês. Senhoria Alves e toda a diretoria foi exonerada pelo então governador Júlio José de Campos (1983-1986) que,  mostrando uma caneta na Televisão, disse que os exoneravam por ilegalidade da greve. Novamente, Senhorinha Alves recorreu ao mandado de segurança e, antes da sentença, o governador disse que os anistiariam. Ao tomar conhecimento do ato, respondeu que não aceitaria pois ela e o seu grupo não eram presos políticos para serem anistiados. Frente à associação, Senhoria Alves colheu frutos e benefícios para os educadores e para a educação no estado de Mato Grosso, inclusive, implantado o Estatuto dos Professores, em Mato Grosso. Passados os anos, o governador Júlio Campos, sempre que a encontrava dizia que ela era um osso duro de roer, informou a sua irmã, a odontóloga Irene de Oliveira Alves.

Atuou na Rede Feminina de Combate ao Câncer. Foi ainda advogada do Funrural (Contribuição Sindical Rural). Em 1998, numa homenagem, pela dedicação com que ajudou a construir a história da educação neste Estado, deu nome a uma escola em Cuiabá, localizada no bairro Jardim Vitória.

Ela exerceu efetivamente o cargo de Técnica em Assuntos Educacionais do MEC (Ministério da Educação e Cultura), também foi presidente da ASMEC (Associação dos Servidores do Ministério da Educação e Cultura/MT), onde se aposentou.

Era membro ativo do Combate às drogas tendo participado de um Congresso em Laos na África em 1984. Em 1986 foi candidata à Deputada Estadual pelo PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, não tendo sido eleita.  

Senhorinha Alves foi Presidente do Muxirum Cuiabano. Movimento criado para preservação da nossa cultura. Como Presidente coordenou o carnaval cuiabano em 1992. Era uma apaixonada pelo Carnaval. Desfilou como Porta bandeira do Bloco "Urubu cheiroso" do bairro Araés onde ela morava e como destaque da Escola Estrela do Oriente do Bairro Santa Helena. Desfilava, também, na Mocidade Independente Universitária. Era mangueirense, mixtense e corintiana, informou Irene Alves.

Tudo o que ela fazia era com muita paixão. Amava dançar e era disputada nos bailes que participava. Deslizava nos salões em qualquer ritmo. “Me lembro de uma festa na residência de um amigo, ela dançando com o cunhado, meu ex marido, uma animada polca paraguaia e todos fizeram uma roda e batiam palmas. O então governador Jaime Campos que estava presente disse “vou ver o que está acontecendo e quando viu disse: ah! Mas é a Senhorinha dando um show”, relembrou Irene.

Se apaixonou muito jovem por Sebastião Atanásio Monteiro com quem teve 4 filhos. Seu companheiro morreu aos 48 anos, e antes, pediu para uma prima que é freira que levasse um padre no Hospital para fazer o seu casamento com a mulher da vida dele e foi o padre Firmo que deu a bênção matrimonial aos dois uns dias antes dele falecer. Ela o acompanhou até seus últimos momentos. 

Senhorinha Ana era uma mulher projetos. Mãe, talvez tenha sido seu projeto mais nobre e encantador em toda sua vida enquanto mulher e esposa. Seus investimentos árduos e lucrativos foram Celmis Lenize Monteiro, Celso Luiz Monteiro, Julinho André Monteiro e Jeferson Alexandre Monteiro. Jamais perdeu a excelência e o orgulho de ser professora, relembra Pedroso.

Senhorinha Alves partiu precocemente com apenas 52 anos de idade, mas para Irene Alves de Oliveira, ela viveu cem anos, pelo tanto que ela era intensa em tudo que fazia. Nós as irmãs: eu Irene Oliveira Rodrigues, Elizina Alves de Oliveira e Rosalva Alves de Oliveira tínhamos por ela o maior respeito e admiração. Era uma mulher de muita garra, uma gigante de apenas um metro e meio de altura.

Assim era Senhorinha Alves, uma mulher que viveu mil vezes em apenas uma vida, que lutou por causas perdidas e sempre saiu vencedora.



(*) NEILA BARRETO SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotícias. E-mail: neila.barreto@hotmail.com

Oliva Enciso, pioneira da educação

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De acordo com Michelle Perrot (2005) na obra 'As mulheres e os silêncios da história', a história da mulher começa a ser escrita na França, mas os pioneiros são os Americanos. Dessa forma a vida dessas mulheres não pode parar de ser narrada, visto que, ainda, temos muitas mulheres com grandes ações no mundo e que ainda estão na invisibilidade e na inexistência. Seu silêncio está junto com a massa da humanidade, porém, sempre ocuparam espaços e se moveram na história. Assim, vamos continuando!

Olíva Enciso, uma professora normalista que se tornou a primeira deputada estadual eleita pelo estado de Mato Grosso, ainda uno, era uma política natural de Corumbá (MS), nascida a 17 de abril de 1909, na Fazenda Taquaral. Filha de Santiago Enciso, homem autodidata, inteligente, alegre, comunicativo, bom leitor e que vivia rodeado de amigos. De descendências paraguaia e italiana que, aos 14 anos de idade, fugiu de navio de um seminário no Paraguai e passou a morar na Fazenda Taquaral como encarregado.

Casou-se com Martinha Enciso, filha do português Antônio Ferreira da Cunha, alegre, enérgica, cuja inteligência era presente em todos os momentos, principalmente nas contas. Era leitora assídua das colunas políticas da época. O avô veio de Portugal aos 4 anos de idade e fixou morada em Corumbá. Chegou ao posto de tenente-coronel do exército Imperial. Morou no Rio de Janeiro, onde casou-se com a sua avó. Foi condecorado no campo de batalha e destacado por Oliva Enciso, como amigo da família de D. Pedro II e dos republicanos. Faleceu 09/11/1889, não há registro do local do sepultamento do avô. Deixou dois filhos Lucas e Martinha, sua mãe.

Da mãe, Martina, Oliva Enciso herdou os hábitos de leitura e o legado da fé. Oliva tinha como irmãs Mercedes, Henriqueta, Clarice, Oliva, Maria da Conceição (Conchita) e Maria do Carmo (Carminha). Foi viver em Campo Grande a partir de 1923, com 14 anos de idade, em companhia da família.
 Oliva Enciso: "Vim de Corumbá com 14 anos e com luto no coração pelo falecimento do meu pai"

“Vim de Corumbá com 14 anos e com luto no coração pelo falecimento do meu pai. Eu e minha família viemos trazidos pelo meu cunhado João Francisco de Freitas, que era baiano de nascimento e campo-grandense de coração. E apesar de toda a sua vontade e dedicação esse recomeço da vida não foi fácil. Muitas vezes minha mãe emendava o dia com a noite junto à máquina de costura. Éramos 7 irmãs e só a mais velha casada. Todas nós trabalhávamos. A minha especialidade era fazer casa de botão nas camisas de homem, que minha mãe fazia”.

Educadora, pioneira da educação profissional em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Técnica em contabilidade e enfermagem. Formou-se nas Faculdades de Farmácia e Odontologia. Sua história com o Taquaral é encerrada após o falecimento do Senhor Santiago, ocorrido em 21/10/1923, deixando a família desamparada dos proventos da sobrevivência, visto que no Brasil, nessa época, não existia lei que assegurasse a pensão para as viúvas. Dona Martinha recebeu cinco mil réis em dinheiro e tomou a decisão de mudar-se com as filhas.

Em 12 de outubro de 1976, no discurso proferido em agradecimento a Câmara de Vereadores de Campo Grande – MS, na ocasião em que recebeu o título de cidadã campo-grandense, Oliva Enciso fez referência à Fazenda Taquaral dizendo: “Não nasci na cidade, mas a 6 km de Corumbá, no Taquaral. Para chegar lá, a estrada era como um túnel, em que a luz do sol e o luar se infiltraram através das folhas das árvores altas e frondosas, dando a impressão que estavam cobertas de tapete estampado. E as flores... as parasitas – orquídeas silvestres – a se confundirem com as aves de penas coloridas... Havia um córrego de água cristalina perto da nossa casa que era de palha... e uma criação de marrecos de penas de várias cores, de incrível beleza.

Ao longe o recorte azul dos morros do Urucum... E o rio Paraguai, o pôr do sol de Corumbá... a deslumbrar pintores e poetas... As flores flutuantes... os camalotes brancos e lilases, que Ulisses Serras imortalizou no seu livro: Camalotes e Guavirais...”, cujo registro se encontra na Ata da Câmara Municipal de Campo Grande, nº 2201, datada de 12 e outubro de 1976.

Poetisa, Enciso compôs belos quadros sobre o ninho querido, a grande Fazenda Taquaral na região de Corumbá, a infância feliz e história familiar, que registrou assim: (...) eu te revejo em sonhos, minha Corumbá! /Tuas manhãs e tardes coloridas... /Teu rio correndo mansamente /Onde eu tanto gostava de brincar... (...)”.
Nos documentos concedidos pela Academia Sul mato-grossense de Letras, Oliva Enciso, também, expõe sua trajetória escolar ao informar que o: “Primário-iniciado em Corumbá na “Escola Pública “D. Maria Leite” e, concluído em Campo Grande no “Colégio Spencer”. No primeiro colégio citado, Enciso foi convidada a recitar a poesia “As borboletas”, porém não gostou do convite, não expôs as razões de não ter gostado, apenas viu nisso o motivo de abandonar a escola, assinalou que “não houve quem me fizesse voltar a estudar”.

Era o ano de 1915, aproveitou para ser criança e subir nas árvores. Ela tinha apenas seis anos de idade. Essa vontade de estudar reaparece em Campo Grande ao ser desafiada através das palavras do livro “Manual da Donzela Cristã”, que a impactou com as escritas: “A aluna deve estudar, não para ser a primeira da classe, mas para agradar a Deus”.

Compreendeu a necessidade de estudar. Solicitou ao seu cunhado, João Francisco de Freitas, para matriculá-la em qualquer escola. Foi matriculada no Colégio Spencer do professor Bartolomeu, uma escola particular, também paga, com dificuldades pela sua mãe. Após dois anos, Oliva Enciso fez uma prova de admissão e junto aos poucos alunos é escolhida para ingressar no Instituto Pestalozzi, em Campo Grande. No ato da matrícula informada dos valores e não havendo dinheiro, nem para as mensalidades nem para o material, a pedido de sua mãe a menina procurou a administração da escola para desistir da vaga.

Porém, João Tessitore Júnior, o diretor do Instituto, à época, foi generoso e concedeu permissão para que ela estudasse, percebendo a atitude proativa de Oliva Enciso. [...]-Voltei ao Pestalozzi e disse a D. Raquel que não dava mesmo para eu estudar e, ela novamente foi falar com o Sr. Tessitore, mandando-me esperar. Logo voltou: - “O Diretor disse que você não precisa pagar nada. Ele só quer que você seja uma boa aluna.” [...] Então voltei ao Pestalozzi novamente e o Sr. Tessitore estava, dessa vez na Diretoria e, eu lhe disse: “então que uma vez que eu não ia pagar nada, eu queria ajudar o colégio na limpeza ou outro qualquer serviço. Ele me mandou voltar à 1 hora e, então, me levou para uma classe, onde hoje é a Capela do Colégio Dom Bosco e onde estavam 45 alunos do 4º ano primário, esperando o professor.  Olhei para o Senhor Tessitore, surpresa e mesmo assustada e ele disse apenas: - “Eu lhe ajudarei...” [...].  Estudou e exerceu o ofício de professora no Instituto Pestalozzi por cinco anos. 

Em 1930 foi estudar no Rio de Janeiro ao que registrou: “Superior – após vestibular, em 1930, matriculou-se na “Faculdade Nacional de Medicina” do Rio de Janeiro, tendo abandonado esse curso em setembro do mesmo ano, quando regressou a Campo Grande”. Em seu regresso, após dois anos, Enciso na autobiografia atesta que se matriculou no curso de Farmácia no ano de 1932. Fez exames de suficiência e mediante avaliações era concedido diploma ao candidato aprovado. E ainda eu arrumava tempo para estudar. Soube mais tarde, que “só não tem tempo, quem o perde...”. E eu não tinha tempo de perder tempo.

Assim, em 1932, “para fazer número”, me matriculei na Faculdade de Farmácia e Odontologia de Campo Grande e, a frequentei regularmente. Após os exames finais da 1ª e única turma, os livros foram transferidos para o Ministério da Educação [...]. Meus colegas revalidaram seus diplomas em São Paulo, mas eu não fui por falta de recursos. Em 1932 ainda recebi o Diploma de Contador, pela Escola de Comércio Dom Bosco, após exames de suficiência com uma Banca vinda do Rio de Janeiro.

“Quero acentuar que tenho diploma de contador pela Escola de Comércio Dom Bosco e, em 1938, recebi o diploma de normalista da Escola Normal Dom Bosco, dirigida pelas Irmãs Salesianas. Estudava na Escola Normal pela manhã e à tarde trabalhava na Prefeitura. À noite, fazia minhas tarefas”, registrou em suas memórias.
A partir de novembro de 1930, quando assumiu o cargo administrativo na Prefeitura Municipal de Campo Grande, contribuiu, por longas décadas, para a sua consolidação administrativa, e paralelamente se dedicava a outras missões confiadas pelo executivo e à obra da Sociedade Miguel Couto, de que foi valoroso arrimo, garantindo a organização, na linha da educação e do desenvolvimento profissional e, ainda, batalhando nacionalmente por verbas que garantissem sua manutenção.
O Engenheiro Firmo Dutra, em 1937, quando esteve por diversas vezes em Campo Grande, por causa do calçamento da Rua 14 de julho, que tinha sido feito pela sua firma, tornou-se amigo e das colegas de Oliva Enciso, da Prefeitura: Elisa Muller  e Maria José Garcia, que Oliva deixou assim registrado para a história:  Firmo, “ Só me chamava de Guatozinha”. Quando em dezembro me enviou um cartão muito bonito de felicitações, respondi-lhe: Meu chefe Guató, meus rogos ouvi Não posso, não quero Ficar mais aqui. /Eu choro, soluço Eu quero voltar À tribo de onde Me foram buscar/ Por que me trouxeram? Nesta  Sociedade Eu só tenho visto Mentira, maldade .../Eu quero de novo Sentir  a alegria Que há na mata Ao despontar do dia/ É o vento que passa Despertando as flores E as aves que entoam Seus cantos de amores/ O ar se perfuma Enquanto nos céus As nuvens parecem Coloridos véus, (...)  Aqui nem há água Aqui tudo é pó!.. Oh! Mandai-me embora Meu Chefe Guató! Rever as lagoas E a gente que é minha ... Realizai o sonho desta GUATOZINHA, cujo texto foi publicado na Revista da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

É a fundadora da Sociedade Miguel Couto dos Amigos do Estudante, no dia 21 de janeiro de 1940, onde trabalhou até os últimos dias da sua vida no atendimento a crianças abandonadas. Em primeiro de setembro de 1963, ao seu empenho, foi criada as Faculdades de Farmácia e Odontologia de Mato Grosso.

Iniciou os seus trabalhos como educadora, onde atuou como normalista, sempre à frente dos programas educacionais, no departamento Municipal de Educação de Campo Grande, quando se tornou a primeira mulher vereadora de Campo Grande (MS), eleita de 1954 a 1958.

Com o fim do mandato da legislatura municipal, Oliva foi eleita deputada estadual pela União Democrática Nacional -UDN - em 1958, sendo a 4ª deputada mais votada do Estado para a 4ª Legislatura, na Assembleia Legislativa (AL) do Estado de Mato Grosso, de 1959 a 1963, conforme informou a professora Mara Visnardi, diretora do Instituto Memória do Poder Legislativo.

Na Assembleia Legislativa apresentou projetos de Lei, requerimentos, indicações, geralmente voltados para a educação, cultura, saúde, assistência social e saneamento. Foi a autora da lei que criou o Ipemat (Instituto de Previdência do Estado de Mato Grosso), que beneficiou os servidores públicos do Estado, atualmente, divididos em MT PREV e MT Saúde, ainda, hoje beneficiando os servidores públicos do estado.

No parlamento estadual foi membro das comissões de educação, cultura, saúde e assistência social nos anos de 1959 a 1962. Em 17 de julho de 1959 solicitou ao Serviço Especial de Saúde Pública - FSESP – a implantação do serviço de abastecimento de água no município de Rondonópolis (MT).

Em seu trabalho pela educação própria, foi acolhida e acolheu, educou e fez história. Pioneira atuante no Instituto Pestalozzi, cuja estrutura deu lugar ao Ginásio Dom Bosco, que daria origem às Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT), hoje Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), de Campo Grande.

Oliva foi celebrizada pelas ações decisivas que culminaram, nos anos 40, na vinda do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI e, depois, do Serviço Social da Indústria - SESI, para o Estado, cujo passo a passo dessa caminhada pioneira, foi em gestões conjuntas com o então diretor do SENAI, Roberto Mange.

 Em Mato Grosso do Sul, o SENAI iniciou suas atividades como Escola SENAI de Campo Grande, no então Estado de Mato Grosso. Contou, entretanto, para a sua instalação com o esforço conjunto de diversas pessoas integrantes do SENAI, Departamento Nacional e do Departamento Regional de São Paulo, principalmente de seu Diretor Regional, o Engenheiro Roberto Mange, um dos idealizadores do SENAI.

As negociações iniciais começaram após incessantes solicitações da professora Oliva Enciso, conhecedora da realidade social e do grau de industrialização do Estado, junto aos dirigentes do SENAI, sendo assim, em novembro de 1945, o Engenheiro Roberto Mange, ciente das necessidades e sabedor do potencial da região, em uma visita ao Estado de Mato Grosso, ainda uno, após percorrer vários locais, escolheu o terreno situado na vila Aurora, atual Bairro Amambaí, limitado pelas seguintes ruas: "Avenida Marechal Deodoro, atual Afonso Pena, Avenida Bandeirantes, Rua Pimenta Bueno, Rua Antônio João, atualmente Rua Engenheiro Roberto Mange e Avenida Schnoor, atualmente Avenida Dr. João Rosa Pires".

Em primeiro de outubro de 1946, o Conselho Estadual de Administração Municipal de Cuiabá naquela época capital do Estado - aprovou o Decreto-Lei referente à liberação da verba para a Prefeitura Municipal de Campo Grande, com a finalidade de aquisição do terreno de propriedade do Sr. Rafael Molitermo, que seria posteriormente doado ao SENAI.

 Em 1947, foi realizada a primeira publicação para seleção de funcionários. Finalmente, em 18 de dezembro de 1948, quando a obra já estava quase finalizada, o Eng. Roberto Mange determina que seja publicado o edital para convocação dos alunos, iniciando as suas atividades de ensino, em primeiro de fevereiro de 1949, sendo inaugurada, em 21 de maio do mesmo ano. Foi instalada num terreno de 20.611 m² apresentando, naquela época uma área construída de 2.017,05 m², com oficinas, refeitório, campo de futebol, pátios, horta, internato com capacidade para 40 alunos, gabinete dentário e ambulatório médico e os cursos de Mecânico Serralheiro, Mecânico de Automóveis, Carpinteiro, Eletricista e Ferreiro, cursos estes destinados a menores, com idade compreendida entre quatorze e dezessete anos e meio, funcionando no período matutino e vespertino.

 Em 17 de fevereiro de 1951, realizou-se, em sessão solene, a entrega de certificados à primeira turma de jovens artífices, oriundos dos mais diversos pontos do Estado. Em 1960, criou-se a Delegacia Regional de Mato Grosso, com sede em Campo Grande. O Boletim Informativo do SENAI, de julho de 1949 traz a seguinte afirmação: “Quando se tiver de escrever a história da penetração do ensino profissional no oeste brasileiro, haverá necessidade de se não omitir um nome de mulher, o de D. OLIVA ENCISO”.

As mulheres em Mato Grosso tiveram suas movimentações e não foi a curto prazo, teve e tem representação e participação, seja na direção e publicação em jornal, seja no teatro, na escrita de poesias, na política, em grêmios literários, na vida pública ou nas participações em grêmios sociais.
Para a escritora e membro da Academia Mato-grossense de Letras, Yasmin Nadaf, à exemplo, o Grêmio Literário Júlia Lopes somando muitas mulheres veio integrar a mulher mato-grossense à vida pública, trazendo informações interessantes sobre a presença da mulher mato-grossense em diversos espaços.

A inteligência emocional de Oliva Enciso voltou-se integralmente à vida pensada para a infinita posteridade, despojando-se do verniz pessoal, como podemos compreender com a leitura do seu livro “Mato Grosso do Sul – Minha Terra”, segunda edição em 2003, para dedicar-se à educação global com ênfase profissional e à cultura do bem-viver.

Ajudou a fundar, em 1967, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Foi destacada diretora estadual da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), surgida em 1943 no Recife — até hoje o mais expressivo movimento de educação comunitária da América Latina.

Oliva Enciso foi membro do Instituto Histórico Geográfico de Mato Grosso do Sul - IHGMS. Ocupou a cadeira 22 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, cujo patrono é Vespasiano Martins, atualmente ocupada pelo advogado e desembargador Rêmolo Letteriello.

Poetisa, escritora, publicou os livros “Biografias dos Patronos da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras”, “Pensai na Educação, Brasileiros”, “Mato Grosso do Sul – Minha Terra” (reeditado em 2003 pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI), a obra Mato Grosso do Sul – Minha Terra traz história do Estado, dinamizada pela própria narradora em seu longo tempo de lutas e benéfica influência pela educação e em prol do desenvolvimento e “Palavras de Poesia”. Colaborou com várias crônicas e poesias publicadas no suplemento cultural – Caderno B – do jornal Correio do Estado em Campo Grande.

Das muitas homenagens que a eternizam na Capital e no Estado de Mato Grosso do Sul permanece nos anais públicos o reconhecimento à sua vida de trabalho. Na Câmara Municipal de Campo Grande, o Plenário recebe o seu nome. Faleceu na cidade de Campo Grande, em 30 de junho de 2005. 

(*) NEILA SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotícias. 
E-mail: neila.barreto@hotmail.com  

Tributo a Vera Iolanda Randazzo

Acontece nesta sexta (22), às 19h, a sessão Magna da Saudade, na Academia Mato-grossense de Letras (AL), à Rua Barão de Melgaço, Centro, em Cuiabá, em homenagem a acadêmica Vera Iolanda Randazzo ..


Hoje (22), às 19h, acontece a sessão Magna da Saudade, na Academia Mato-grossense de Letras (AL), à Rua Barão de Melgaço, Centro, em Cuiabá, em homenagem a acadêmica Vera Iolanda Randazzo, tendo como oradora oficial a imortal Nilza Queiroz Freire, com as presenças de seus familiares, acadêmicos e convidados. Compareçam!
Historiadora, escritora e funcionária pública, Vera Iolanda Randazzo nasceu em Caxias do Sul-RS, aos 21 de setembro de 1927, descendendo de Roberto Edmundo Randazzo e Cecília Campagnoni Randazzo. Seus estudos fundamental e médio foram realizados junto ao Grupo Escolar Municipal de Criuva-RS e no Colégio Nossa Senhora da Conceição, de Porto Alegre -RS, e o superior incompleto em História, na Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT.

Veio para Mato Grosso a partir de 1955, estado que adotou como seu e onde prestou relevantes serviços. Profissionalmente, ocupou os cargos de Oficial Administrativo da Biblioteca do Arquivo Público de Mato Grosso; Professora primária interina em Rosário Oeste, Diretora do Arquivo Público de Mato Grosso; Técnica em arquivística, pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso; Organizadora do Instituto Memória do Poder Legislativo, em seus primórdios; Membro da Comissão de Estudos de Fronteira, para exame de questões de milites entre os estados de Mato Grosso e Goiás; Autora do projeto de pesquisa das Leis no período de 1835 a 1889, apresentado à Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso.
Possuía Registro de Profissional em Arquivística, havendo sido também jornalista, colaborando em periódicos regionais.
Em reconhecimento ao seu trabalho e produção intelectual, é sócia fundadora da Sociedade Amigos de Rondon, sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso - IHGMT, sócia correspondente da Academia Paulistana de História, membro da Ordem dos Bandeirantes de São Paulo.
Imortal da Academia Mato-Grossense de Letras, Iolanda ocupava a cadeira nº 19. Em 28 de abril de 1982, recebeu também o título de Cidadã Cuiabana, pelos relevantes serviços prestados à Capital. Contribuiu com artigos nos jornais: O Estado de Mato Grosso, A Tribuna Liberal, O Social Democrata, Diário de Cuiabá, Correio da Imprensa, Revistas do IHGMT e da AML.
Escreveu os seguintes livros: Pajemeira, pajemeira!; As cartas do grande chefe à sua esposa; Quando morreu Pascoal Moreira Cabral; Catálogo de Documento Históricos de Mato Grosso; Catálogo da exposição de documentos históricos em homenagem a Corumbá, pelo seu bicentenário; Catálogo da exposição de documentos históricos em homenagem a Diamantino (por ocasião do penta centenário); Contribuição à história do Arquivo Público de Mato Grosso: catálogo da exposição de documentos mato-grossenses da Proclamação da República: 91º aniversário; Catálogo da exposição de documentos históricos em homenagem a Poconé – bicentenário; Integridade territorial de Mato Grosso e o acordo com Goiás, dentre outros e, Verbete na obra Vozes Femininas, v. 6, da coleção Obras Raras da Literatura Mato-Grossense.

Entre os anos de 1974 e 1987, Iolanda assumiu a diretoria do departamento de Documentação e Arquivo, setor que antecedeu a criação do Arquivo Público de Mato Grosso. 
Para a historiadora Vanda da Silva, Superintendente do Arquivo Público de Mato Grosso – APMT -, “Vera foi extremamente importante para a constituição do Arquivo Público de hoje. Foi uma das pessoas que mais lutaram, na década de 70, para a criação de um espaço onde fosse possível preservar a memória do Estado de Mato Grosso”, afirmou Silva.
Faleceu na capital aos 14 dias de fevereiro, do corrente ano, aos 91 anos de idade. Imortal da Academia Mato-Grossense de Letras, Vera deixa um legado importante de contribuição cultural e histórica para o Estado, 4 filhas, 13 netos e 22 bisnetos.

(*) NEILA BARRETO SOUZA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotíciasE-mail: neila.barreto@hotmail.com

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